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Outro Olhar Açores – Sónia Ell – “As minhas cinzas serão deitadas no canal entre as ilhas de S. Jorge e Pico”

41 anos e cerca de 30 países visitados. Deixei o melhor para o fim: os Açores.
Tinha tropeçado numa promoção da TAP para vários destinos nos Açores e, como estava para marcar uma viagem com uma amiga, propus este arquipélago português, que para mim ainda era totalmente desconhecido. Depois de sincronizarmos agendas entre as duas e, em seguida, alinharmos com os voos da TAP, elegemos o Pico como destino.

Sónia Ell a caminho do Pico

Chegado o dia, partimos. Estávamos em Junho de 2015. Não imaginando que desta viagem resultaria uma decisão que chocou toda a gente à minha volta…
Confesso que a expectativa sobre este destino era alguma, mas não era nada de especial. Contudo tinha ido ao Funchal, uns 15 anos antes, do qual tinha gostado imenso, mas toda a gente me dizia: ‘Espera até conheceres os Açores!’

Sónia Ell - Miradouro ilha Terceira

Na minha cabeça não conseguia entender o que isto poderia significar, pois afinal eram ilhas; portuguesas; no Atlântico; redutos de Natureza selvagem. Que grande diferença poderiam ter entre elas? Até ao momento que se abriu a porta do avião e receber de chofre um impacto inesperado que me esbugalhou os olhos! O meu primeiro contacto com os Açores, não foi ver o verde de que todos me falavam, mas sim, sem o ver, sentir o seu fortíssimo aroma doce e húmido que ficou de imediato debaixo da minha pele, para sempre. Foi fulminante. Aquela sensação inebriante era indescritível! Foi como o instinto primário, de uma cria que se liga aos progenitores pelo cheiro, e sabe quando chegou ao lar. Desde então fiquei ligada embrionalmente a este mágico arquipélago.

Sónia Ell - Lagoa do Fogo

Muitos chamam-lhe o continente perdido, porque está para provar se era parte da Atlântida ou não. Eu, chamo-lhe casa. Na altura tinha 41 anos e, até aí, tinha visitado um pouco menos de 30 países por esse mundo fora, mas nada se comparava a tudo o que vi e vivi naquela primeira viagem aos Açores e ficou tatuado na minha carne. Desde 2015 que, todos os anos, faço questão de, pelo menos uma das minhas viagens anuais, ser aos Açores. Aliás, já não sei viver sem isso. Aprendi, não como mera turista, mas envolvendo-me com a comunidade e com as pessoas, que cada Ilha tem uma identidade própria, gastronomia, um dialecto próprio, com expressões únicas, dimensões e morfologia do terreno diferentes, povo, história e tradições completamente distintas entre si, e cheiros. Sempre os cheiros.
9 atmosferas diferentes.
9 paixões diferentes.
9 possibilidades de mergulho elevadas ao infinito.

Sónia Ell - Chá da Gorreana  Sónia Ell - Miradouro São Jorge Sónia Ell - Poço da Ribeira do Ferreiro

Sim, porque uma das motivações iniciais para visitar o Arquipélago, foi o mergulho, pois sou mergulhadora há 11 anos. E o mergulho lá é uma experiência avassaladora, a somar a todas as emoções que há 5 anos tenho o privilégio de viver em cada uma das experiências insulares nesta mágica região Portuguesa. O Mar aqui, para quem já mergulhou, pode confirmar que não exagero, quando afirmo veementemente que o Azul Açores é único! E a vida Subaquática? Não existe vocabulário suficiente para a descrever…
Desengane-se quem acha que se já foi a S. Miguel, já conhece os Açores. Quem quer realmente conhecer os Açores tem que ir ao Corvo, às Flores, à Graciosa e a S. Jorge. Deve começar por aí. Só depois pode dizer que foi aos Açores. E pode e deve visitar as restantes, mas a seguir.

  Sónia Ell - mergulho Açores  Sónia Ell - mergulho Açores

Ah! E aquela decisão que tomei e chocou toda a gente? As minhas cinzas serão deitadas no canal entre as ilhas de S. Jorge e Pico! Acho que assim ficam com uma pequena noção sobre a minha paixão e o que os Açores têm o poder de provocar no ser humano…

Sónia Ell - Lagoa do Fogo

 

Sónia Ell – 16 de Junho 2020

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