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Viver numa ilha – Outro olhar por Joana Jorge

Alguns acreditam que é o paraíso na terra e devem acreditar porque é mesmo, outros acreditam que pode ser o Inferno, e mais uma vez não se iludem é a pura realidade!
Temos de tudo um pouco, o paraíso intocável, e um inferno indesejável.
Toda a vida vivi numa ilha e quem nunca viveu não sabe o que perdeu.
Vivemos coisas que não tem explicação, vivemos com calma sem certezas do futuro, vivemos o dia-a-dia sem pressas, com uma alegria imensa. Pelo menos foi assim a minha infância. Brincar sem ter horários, saber quando ir para casa, sem telemóveis sem nada.

Poço do Bacalhau - ilha das FloresA beleza de viver numa ilha pequena como a ilha das Flores, é ter uma natureza sem comparação que a cada passo nos tira a respiração, que nos deixa a pensar será que em algum lado existe algo assim tão belo e poderoso.
E, então quando as magníficas cascatas explodem as correntes de água acumuladas da chuva que pensamos que nunca mais para. E todas as vezes nos questionamos, como é que chove tanto aqui?

Sei que a minha ilha das Flores será sempre a mais bela das 9 ilhas, e não, não vou pedir desculpa às outras ilhas, conheço quase todas, só me falta a Graciosa.
Todas tem o seu encanto, lá isso é verdade, mas as ilha das Flores! Oh! Essa tem esse encanto triplicado, em que cada canto conto uma história, em que cada canto é único e precioso. Em que todos os cantos esperam pela nossa visita, mas nunca esquecendo de respeitar a cada passo a bela paisagem.

Nesses dias que correm viver numa pequena ilha é provavelmente a melhor e a mais segura maneira de passar sem sofrer nenhum mal do exterior. Mas também se precisarmos de ser socorridos, às vezes nem rezar aos santinhos pode-nos ajudar e há a grande probabilidade de ficarmos ainda pior.

Mas, como é óbvio isso não nos impede de ver sempre o lado positivo, de quando precisamos de uma chávena de açúcar, o vizinho quase sempre nos ajuda, e se não tivermos dinheiro suficiente para pagar a conta na loja, podemos sempre pagar no dia a seguir. E não podemos esquecer que temos sempre algum familiar por perto, para nos acudir quando não sabemos o que havemos de fazer para o jantar.

Mas, só vemos estes detalhes quando saímos da ilha, e pensamos afinal não foi assim tão mau viver numa ilha e faz-nos apreciar as pequenas coisas e ajudou-nos a construir o nosso carácter.

Se ainda não foste as Flores, não sabes o que perdes, mas mais uma vez repito, não esqueças de respeitar a nossa paisagem e também de respeitar quem habita nesta magnífica ilha.

‘Uma Florentina perdida’
Joana Jorge

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